Miguel Camisa Preta teve ligação com Leão do Norte? – 1911
Amizade próxima; Miguel jurou vingar a morte de Leão do Norte nas mãos de Elpídio
Pessoa
Alfredo Francisco Soares
anos 1870 – 12 de julho de 1912
Nasceu em Rio de Janeiro, Brasil
Faleceu em Centro, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil
Alfredo Francisco Soares, conhecido como Miguel Camisa Preta ou simplesmente Miguelzinho, foi um dos mais famosos capoeiristas e malandros do Rio de Janeiro durante o início do século XX. Apelidado de "príncipe dos bambas", deixou sua marca na história dos capoeiras, malandros e valentões que povoavam as ruas boêmias da Cidade Maravilhosa.
Sua carreira criminosa é documentada de 1902 até sua morte em 1912. Durante esse período, ele personificou a transição das antigas gangues de capoeira do Império—os Nagoas e Guaiamús que haviam sido suprimidos após 1889—para a nova geração de malandros que continuavam as tradições da capoeira na República nascente, apesar da criminalização. Pesquisadores estudaram sua trajetória para compreender as continuidades e rupturas que marcaram o papel dos capoeiras como figuras centrais em fraudes eleitorais no Rio de Janeiro republicano.
Nas eleições de 1909 para o Conselho de Intendência Municipal, Miguel trabalhou como cabo eleitoral, função que os capoeiristas exerciam desde os tempos do Império, quando as federações de maltas se aliavam aos partidos Conservador e Liberal para manipular eleições. Essa função política—usar violência e intimidação para influenciar a votação—era uma estratégia fundamental de sobrevivência para os capoeiristas após a criminalização de 1890.
O grande amigo de Miguel era o capoeirista Leão do Norte, descrito como um "capoeira valente das ruas". Por volta de 1911, o policial Elpídio Ribeiro da Rocha matou Leão do Norte. Miguel jurou vingança. Os dois homens se confrontaram pelo menos duas vezes antes do encontro final. Em um confronto anterior, Miguel foi baleado na perna e ambos foram parar na delegacia. Após se recuperar, Miguel desapareceu da vista do público por cerca de um ano.
Na madrugada da sexta-feira, 12 de julho de 1912, Miguel estava na Rua Núncio no centro do Rio de Janeiro (hoje cruzamento da Avenida Tomé de Souza com Visconde do Rio Branco), conversando com um comerciante chamado Antônio Júlio Xavier. O Cabo Elpídio Ribeiro da Rocha apareceu, acompanhado de Manoel Tibúrcio Garcia. Segundo os jornais A Gazeta de Notícias e A Noite, ambos prometeram ao malandro que não atirariam se ele levantasse as mãos. Assim que Miguel levantou os braços, Elpídio atirou em sua cabeça. Com seu corpo no chão, o cabo disparou mais quatro tiros—na cabeça novamente, na mão esquerda, no ombro e no abdômen.
Esse foi o fim do mais famoso valentão, boêmio, capoeirista e malandro que habitou as ruas do Rio de Janeiro no início do século XX. Mas sua história não terminou com sua morte.
Miguel Camisa Preta tornou-se uma entidade espiritual na Umbanda, cultuado em vários cantos do Brasil. Em sua "falange" (família de entidades), ele se apresenta com vários nomes dependendo do local: Miguelim do Morro, Mané Soares, entre outros. Alguns praticantes distinguem entre Malandro Miguel, Malandro Camisa Preta e Malandro Miguel Camisa Preta como entidades separadas; outros o conectam a Zé Pelintra como descendente espiritual. Sua missão no reino espiritual é ajudar aqueles que lutam contra vícios e aqueles envolvidos com tráfico—usando sua sabedoria de rua para redenção em vez de perdição.
Miguel Camisa Preta teve ligação com Leão do Norte? – 1911
Amizade próxima; Miguel jurou vingar a morte de Leão do Norte nas mãos de Elpídio
Atuou em: Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil
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