Plácido de Abreu teve ligação com Manduca da Praia
Pessoa
Plácido de Abreu
Plácido de Abreu Morais
1857 – fevereiro de 1894
Nasceu em Portugal
Faleceu em Copacabana, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil
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- 1857Nascimento · Portugal
- 1870Atuou em Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil · aos 13
- Sem momentos datados entre 1870 e 1894
- fevereiro de 1894Falecimento · aos 37
Momentos datados desta trajetória, do corpus.1 momento sem data está na seção Relações
Plácido de Abreu Morais nasceu em Portugal em 1857 e imigrou para o Brasil ainda adolescente durante a década de 1870, como muitos portugueses em busca de oportunidades econômicas no Novo Mundo. Após chegar ao Rio de Janeiro, encontrou trabalho como caixeiro e depois como tipógrafo em uma casa impressora que publicava jornais e pequenas obras literárias.
Como muitos jovens imigrantes de seu tempo, Abreu foi atraído pela cultura de rua da cidade e participou de rodas de capoeira, tornando-se o que as fontes descrevem como um "capoeirista amador". Em janeiro de 1872, durante intensa repressão policial liderada por Ludgero Gonçalves da Silva, foi preso para investigação sobre um homicídio—embora o resultado deste caso não esteja registrado.
Seu contemporâneo Coelho Neto o descreveu como "poeta, dramaturgo e jornalista" e colega de figuras republicanas notáveis como Lopes Trovão e Pardal Mallet no combativo jornal O Combate. Outro contemporâneo o descreveu como "uma mistura de capoeira, ativista republicano e escritor".
Abreu fez a transição das lutas de rua para atividades literárias, aprendendo tipografia e escrevendo romances, peças teatrais e poesia. Sua obra mais significativa, Os Capoeiras, foi publicada em 1886 pela Tipografia José Alves Editor no Rio de Janeiro. É considerado o primeiro livro dedicado inteiramente à capoeira. A obra é dividida em duas partes: a primeira é um estudo semi-etnográfico que funciona como ensaio sociológico sobre a cena da capoeira, e a segunda é uma novela ficcional ambientada no submundo da capoeira.
Em sua introdução, intitulada "Duas Palavras", Abreu escreveu: "Quando comecei este livro, meu objetivo era descrever as atrocidades cometidas pelos capoeiras desde os tempos antigos. É uma tarefa difícil estudar a capoeiragem, desde seus tempos primitivos, porque sua origem não é bem conhecida".
O livro documentou as duas grandes maltas (gangues) rivais do Rio de Janeiro: os Guaiamús (cuja cor era vermelha) e os Nagôas (cuja cor era branca). Ele registrou que os Guaiamú estavam centrados na igreja de São Francisco sob o famoso chefe Leandro Bonaparte, com locais secundários em Santa Rita, Ouro Preto, Marinha e São Domingos de Gusmão. Treinavam no morro do Livramento em um local chamado Mangueira. Os Nagôas estavam centrados na igreja de Santa Lucia sob a liderança de Manduca da Praia, com locais secundários em São José, Lapa, Santa Ana, Moura e Bolinha de Prata. Treinavam na praia do Russell e no morro do Pinto.
Abreu documentou como ambos os grupos operavam hierarquicamente com chefes, assistentes, "policiais" e soldados rasos. O treinamento progredia de exercícios com as mãos nuas para armas de madeira e lâminas afiadas, com sessões frequentemente se tornando sangrentas. Ele registrou vários assassinatos, incluindo a morte de um membro Nagoa por Jorge-Marinha na Rua dos Ourives e as mortes retaliatórias subsequentes de Pinta Preta da Lapa, Jacó e Alemãozinho.
Ele também forneceu um extenso glossário de gírias da capoeira: distorcer (disfarçar), tungar (ferir), lamparina (um tapa), chifrada (cabeçada), jangada (cadeia da polícia) e palácio de cristal (casa de detenção).
Notavelmente, Abreu rejeitou a tradição oral das origens africanas: "Na África não conhecemos a capoeiragem, mas apenas algumas cabeçadas". Ele similarmente descartou a atribuição indígena, notando que os povos nativos não possuíam as técnicas específicas de ataque e defesa que os capoeiras empregavam. Esta posição é agora entendida como incorreta.
Embora Abreu tenha praticado capoeira em sua juventude, mais tarde a denunciou em seus escritos como uma prática associada à criminalidade e violência urbana. Sua relação complexa com a capoeira reflete tensões mais amplas na sociedade brasileira durante a transição do Império para a República.
Um republicano fervoroso, Abreu colaborou com Sampaio Ferraz no jornal Correio do Povo e com Lopes Trovão no O Combate—o mesmo Sampaio Ferraz que, como Chefe de Polícia após 1889, se tornaria o mais implacável perseguidor de capoeiras da história brasileira. Abreu foi implicado na tentativa de assassinato de junho de 1889 contra o Imperador Pedro II, embora o atacante real fosse Adriano Augusto do Valle.
Seu segundo livro, Nagôas e Guayamús, é agora considerado perdido.
Após a proclamação da República em novembro de 1889, Abreu ficou desiludido com o autoritarismo do Presidente Floriano Peixoto, que inconstitucionalmente se recusou a convocar eleições após assumir o poder. Quando a Revolta da Armada eclodiu em setembro de 1893—uma revolta naval liderada pelos Almirantes Custódio José de Melo e Saldanha da Gama contra o regime—Abreu apoiou os insurgentes.
Em fevereiro de 1894, Plácido de Abreu foi executado por fuzilamento perto do túnel de Copacabana. Segundo o relato de Coelho Neto, ele "morreu com o heroísmo de um amouco, fuzilado no túnel de Copacabana" enquanto caminhava na escuridão. Foi traído por um oficial e baleado pelas costas. Apesar de enfraquecido pelo longo aprisionamento, tentou se levantar após cair contra a parede, rangendo os dentes enquanto enfrentava seus executores. Alguns historiadores acreditam que seu assassinato foi politicamente motivado devido ao seu ativismo e oposição ao regime florianista.
Embora tenha morrido na obscuridade com aproximadamente 37 anos de idade, a obra de Abreu ganhou reconhecimento renovado entre historiadores e estudiosos da capoeira. Os Capoeiras permanece como um dos relatos contemporâneos mais antigos e detalhados da capoeira, seus praticantes e seu lugar na sociedade brasileira no final do século XIX—uma rara janela para o mundo das maltas antes do expurgo republicano que os dispersaria para Fernando de Noronha e levaria a capoeira à clandestinidade.
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Associado a1
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Atuou em: Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil
1870 – ?
Viveu em: Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil
período não registrado
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- declarações
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- sem fonte
- 0
- contestadas
Relações por confiança
- Verificado: 1
Fontes citadas
- [1]Os Capoeiras, Plácido de Abreu citada 1 vez