Pajéu foi um valentão que veio do sertão pernambucano para Recife no final do século XIX. Tornou-se conhecido como malfeitor do bairro São José, com reputação de se passar por capoeirista e de bater em mulheres—comportamento que particularmente enojava o lendário Nascimento Grande.
O nome de Pajéu aparece no registro histórico principalmente através de seu desafio malogrado a Nascimento Grande. Como outros lutadores famosos de todo o Brasil—Pirajé do Pará, Manezinho Camisa Preta do Rio de Janeiro e João Sabe Tudo—Pajéu foi atraído a se testar contra o mais temido capoeirista de Pernambuco.
O encontro tornou-se lendário por sua rapidez e humilhação. Pajéu atacou Nascimento Grande com uma peixeira (um tipo de faca usada pelos sertanejos). Segundo múltiplos relatos, Nascimento Grande o desarmou em aproximadamente dois segundos—"tomou-lhe a peixeira em dois segundos". O que se seguiu não foi meramente uma surra, mas uma demonstração teatral de dominância: Nascimento Grande obrigou Pajéu a vestir roupas de mulher e desfilar pelas ruas do Recife Velho.
A humilhação pública foi particularmente severa porque as prostitutas do Recife—que amavam Nascimento Grande e desprezavam Pajéu por seu tratamento das mulheres—aplaudiram e riram de sua desgraça. O incidente tornou-se parte da lenda de Nascimento Grande: um homem que não apenas derrotava seus desafiantes, mas o fazia de maneiras que reforçavam códigos sociais, punindo aqueles que abusavam de mulheres ou falsamente reivindicavam habilidade marcial.
Pajéu representa um tipo particular na cultura de luta brasileira: o valentão sertanejo que dependia de armas e intimidação ao invés de verdadeira habilidade marcial, e cujas pretensões foram expostas quando confrontado por um verdadeiro mestre.