Pessoa
Major Vidigal
Miguel Nunes Vidigal
1 de dezembro de 1745 – 10 de julho de 1843
Nasceu em Angra dos Reis, Rio de Janeiro, Brasil
Faleceu em Vidigal, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil
Miguel Nunes Vidigal incorpora um dos grandes paradoxos da história da capoeira: o homem que se tornou o mais temido perseguidor de capoeiristas no Rio de Janeiro do início do século XIX era ele próprio um mestre da arte que caçava.
Nascido em 1º de dezembro de 1745, em Angra dos Reis, Vidigal subiu nas patentes militares desde jovem. Tornou-se o primeiro comandante brasileiro nato das forças militares quando a família real portuguesa chegou ao Brasil em 1808. Em 1809, foi nomeado chefe da recém-formada Guarda Real de Polícia.
Neste papel, tornou-se um implacável perseguidor de candomblés, rodas de samba e especialmente capoeiristas—"para quem reservava tratamento especial, um tipo de surras e torturas que chamava de 'Ceia dos Camarões'". O nome vinha do resultado das sessões de açoite: a pele das vítimas ficava tão rosa que evocava a imagem de camarões cozidos.
No entanto, a ironia não passou despercebida por seus contemporâneos. Seus detratores o descreviam como "um hábil capoeira, de sangue frio e agilidade além de toda prova, respeitado pelos mais temíveis valentões de seu tempo. Jogava maravilhosamente com pau, faca, soco e navalha, e em golpes de cabeça e pé era insuperável".
Sua aterrorizante reputação deu origem a uma expressão portuguesa: "lá vem o Vidigal", significando que algo terrível se aproximava.
Em junho de 1828, soldados mercenários alemães e irlandeses se revoltaram. As forças imperiais foram dominadas. Nesta crise, a tradição conta que Vidigal convocou os próprios capoeiras que havia perseguido. Senhores de escravos liberaram seus capoeiristas escravizados para formar milícias. Uma testemunha ocular registrou: "Mesmo estacionados e armados com rifles, os rebeldes não conseguiam resistir aos punhos, pedras e paus. Caíam nas ruas e praças públicas, feridos ou mortos".
Em três dias a revolta foi esmagada—graças em grande parte aos capoeiras. O historiador Carlos Eugênio Líbano Soares argumenta que este foi o evento mais importante para estabelecer a dominância da capoeira nas ruas do Rio.
Foi imortalizado no romance de 1854 de Manuel Antônio de Almeida "Memórias de um Sargento de Milícias". Em 1820, monges beneditinos concederam-lhe terras ao pé do Morro Dois Irmãos. Morreu lá em 10 de julho de 1843, aos 98 anos. A área é hoje o bairro do Vidigal no Rio de Janeiro.
Quem ensinou capoeira a Vidigal permanece desconhecido—a trilha da linhagem termina com ele.
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Atuou em: Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil
período não registrado